ESQUECIMENTOS
De repente me lembro que dia é hoje Mas que importância isso tem? Passaram amantes com risos tímidos Com tanta cumplicidade E paixões se renovaram Enquanto pombos alucinados Se espatifavam no céu. Passaram muitas e muitas crianças Numa cantiga de roda Para dançar os meus olhos No meio da ciranda Que se abre pra mim. Passaram as sombras pela praça Numa louca geometria Como figuras disformes Tentando um triângulo Com linhas paralelas. Passaram tantos olhares distraídos Que nem me viram ali Na penumbra da vida Afagando o sonho De um círculo que fecha. De tudo ficam apenas as datas Mas quem se lembra delas?
Escrito por ivoando às 22h37
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LIMIARES
Não me importo se o sol se foi antes da hora O dia lá fora ainda brilha E as horas são tão relativas Que se desmancham como clara em neve E se espalham pelo fio da vida Como folhas em branco Que o tempo chora. Estou na cabeceira da ponte e o rio passa Como tantas coisas na minha cabeça Que a forma não se define E mesmo assim desfilam como as águas Para preencher meus espasmos Vazios de pensamentos E cheios de desvarios. Em algum lugar do passado perdi o rumo E passei as noites andando como cego Sem saber de que lado estava Quando os ramos de alecrim me tocaram Trazendo-me de volta Para entender a realidade E saber que estava vivo. Quando acordo passeio por meu coração Para saber se os amores florescem E que sentimentos ainda batem Quando do nada as dores pulsam Expondo tantos mistérios Nunca desvendados E que tanto assustam.
Escrito por ivoando às 22h09
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