SONETO PARA OS QUE FICAM
Saboreio o dia incerto de uma morte eterna Aonde irei sem saber por que nem para onde Encontrar finalmente a alma que hiberna Esperando-me num vale entre luzes de neon. O que dirão os que ficarem depois de mim Vendo-me partir num dia qualquer de outono Absoluto e rindo dentre as flores de carmim Sem ser de ninguém e também de nada dono. Quem sabe os que lerem o que deixo escrito Descubram uma grandeza que nunca tive Nos versos densos de meu ser proscrito Que buscou a paz sem nunca tê-la achado E nos longos dias de sua vida breve Amou muito... Muito mais do que foi amado.
Escrito por ivoando às 22h05
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EU LÍRICO
Meu lirismo anda irritado comigo Porque não sei lhe dar forma Da forma como ele gostaria E o gasto a toa em qualquer esquina Em troca de um sorriso Nos milhares de olhares Que nem sabem por que brilham. Meu lirismo não acredita mais em mim Por mais juras que lhe faça E ri de minhas pretensas dores Que estendo num pano branco a céu aberto Para afugentar os fantasmas Que tomaram conta de minhas noites E me tornaram refém de mim. Meu lirismo esconde as palavras Quando mais delas eu preciso E me bota a pensar coisas sem sentido Na tentativa de deixar obscuros Os sentimentos que pelo dia espalho E só agora ando descobrindo Que meu lirismo é tímido!
Escrito por ivoando às 03h24
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