A ARTE DE NÃO SABER
Quando saberei de ti? Eu que sem saber nasci Sem saber me fiz Sem saber cheguei aqui. Todos os conhecimentos Embutidos nos livros Aprendidos nos ofícios Que na vida adquiri Desconheço a serventia. Vou desaprendendo tudo Esquecendo experiências Abandonando as práticas E todas as partituras Das músicas não tocadas Que só ler aprendi. Vou vivendo arte de não fazer O que eu deveria ter feito De nada saber Das coisas que já vivi E esquecendo totalmente Tudo aquilo que já fiz. Quando não souber mais nada Também não saberei de ti E aí serei feliz?
Escrito por ivoando às 22h52
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INTÉRPRETE
Admiro quem sabe interpretar as palavras. Que sabe o que disse Freud Viaja nos sonhos de Bakunin Vê clareza nas centúrias de Nostradamus Entrega-se a filosofia de Gandhi E entende a angústia de Nietzsche. Eu ouço a voz que sai do ventre da terra O choro da manhã deflorada O grito do casulo rompido O barulho da estrela cadente E o som leve da folha Que seca exposta ao sol extremo. Eu tento compreender O branco na cabeça de um jovem Que capota o carro numa curva E se vai junto com outros Numa viagem sem volta Na velocidade da luz. Eu observo os que se sentam Nas cabeceiras das pontes Derramando um olhar incógnito Demorado e infinito Nas pessoas que passam Na vertigem dos carros No caos da vida. Vejo e sinto tudo que passa E nada entendo. Pobre de mim Que não sabe interpretar Nem a voz que não sai E nem os silêncios.
Escrito por ivoando às 23h28
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