VAGUIDÃO
Vago incerto Tendo à frente Um chão aberto Onde caio todos os dias E sempre volto Para cair de novo Pois a vida me deu Além da voz Esse grito mudo Que tenho que soltar Todos os dias. Também cai o dia Quando as horas Riem de mim E todos os caminhos Conduzem a mim mesmo E terminam num ponto Sem reticências Onde vago cego Tendo pela frente Uma longa noite E tua ausência.
Escrito por ivoando às 21h54
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DOIS ANOS DE IVOANDO
Tudo começou num domingo à tarde. Enfadonho como todos os outros. Lá estava eu pulando de site em site e pensando na efemeridade da vida quando me dei conta que muitas tardes daquela já haviam se passado e pouca coisa de concreto eu havia feito até então. Desafio de começar um blog surgiu da necessidade de deixar de ser platônico, no sentido de ser escritor apenas no mundo das idéias e também, para deixar o comodismo um pouco de lado. É fácil você dizer que é escritor, mas na hora de apresentar alguma coisa sua escrita, cadê? Partindo do princípio um pouco utópico, que podemos ser aquilo que queremos, topei o desafio feito por mim a mim mesmo e há exatos dois anos, sem que uma única semana falhasse, posto aqui meus devaneios. Desde então, muita água passou por debaixo dessa ponte. Não apenas debaixo dela, mas por cima também. Teve dias em que o rio transbordou, arrastando esse blogueiro e suas idéias para uma correnteza que parecia sem volta. Mas a história caminha em círculos e não em linha reta e a gente sempre acaba voltando ao desafio de estar sempre numa margem e cada texto escrito é um passo para tentar atingir a outra. Como poeticamente já disse Mário Benedetti:“Para cruzá-la ou não cruzá-la, eis a ponte/ Na outra margem alguém me espera com um pêssego e um país...” Assim, vou fazendo desse espaço um local onde morro e ressuscito sempre. Onde fico exausto e renovado. Alegre e triste. Aqui, todos os paradoxos se encontram. As pessoas se encontram. Eu me encontro com as pessoas. Cada texto tem um significado para mim que pode ser diferente para outros. São filhos feitos para o mundo e, se são amados ou não, independe de quem os criou. E mesmo assim, continua criando...
Escrito por ivoando às 22h36
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UM POUCO DO QUE NÃO SOMOS
Um pouco de humor, sal e matéria desprendem de mim Misturando-se aos devaneios metafísicos Enquanto meu ser calado se veste de quem não sou E sai distribuindo sorrisos na vizinhança Esperando ser visto como gente E ser tratado como um ser normal. Enganam-se os que pensam que sou o que aparento ser. Há em mim toda uma carga de ceticismo Que varro pacientemente debaixo do tapete E ando a falar mal de filantropias Que deixam as pessoas tão contentes Que as fazem sentirem-se realizadas E colocam um pouco de vida em sua vida inútil E coloca um campo protetor em suas mentes sujas E as fazem sentirem-se bem Como se servissem para alguma coisa. Causa-me desconforto saber que cada um pensa E vive apenas de acordo com o que acha que é certo Mas nunca parou para pensar se o certo existe E vai transmitindo à prole pensamentos tortos E os proíbe de pensar com medo De que eles vejam o quão torpe o pensamento se torna Quando não foi pensado para ser o melhor Mas para defender suas causas inócuas Que não servem absolutamente para nada Mas são a razão de seus dias lerdos. Pessoas lojas e letreiros se misturam nas esquinas Enquanto passo por eles sem estar ali. A inexatidão das coisas e das horas me oprime E me põe a pensar onde eu estaria Se não estivesse ali naquele momento inseguro Onde todos me vêem e não sou visto Porque não faço parte de seus campos de visão E seus olhos foram treinados para ver letreiros E não para decifrar pessoas. Sinto as pessoas me perscrutando quando as olho Ou quando delas me aproximo indiferente. Esboço então um sorriso tímido Como se estivesse perdido de mim E não ofereço perigo algum Nem serei a causa de seus dissabores Para desarmar os espíritos Para que vejam que sou apenas gente E não como seu inimigo oculto Projetado por sua mente Que a faz ter medo do mundo.
Escrito por ivoando às 01h33
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NÃO ME APAVORA
Minha amada Olha lá fora O dia é quente E o sol tão inclemente Que até desafora Não me apavora! Eu não tenho Nem lugar agora Para meus versos Que estão sem berço Desde a aurora Não me apavora! Olha o vento Que a brisa namora E sempre atenta No meio da tormenta Um beijo elabora Não me apavora! Sonho como cego E se o tempo demora Pouco me importa A vida é toda incerta Minha amada Não me apavora!
Escrito por ivoando às 23h57
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PERGUNTAS
Perguntam-me Com palavras belas Com argumentos exatos Com a boca em linha reta Na posição inflexível De quem já sabe a resposta Ou imagina que saiba E fica esperando a minha Para poder combatê-la. A verdade pediu licença E deitou-se ali Junto ao cão na sarjeta. As respostas existem Para ser apenas resposta E não trazer definição. Como posso responder Se o mundo não tem clareza Como hei de saber Se nem de mim tenho certeza.
Escrito por ivoando às 23h57
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DEPOSITÁRIO DE SONHOS
Tenho medo de virar deserto Quando não houver mais palavras que me definam. Um barco partiu à noite sem ninguém a bordo E sem que ninguém o visse partir Navegando agora quem sabe aonde Sem uma mão que lhe dê prumo Sem um mapa que lhe dê rota Sem um verso que lhe dê sentido Sem uma alma que lhe dê vida. Todos meus sonhos estavam nesse barco Guardados em baús sem chaves Juntados em tantos anos de vida Com a paciência dos abnegados Com a calma dos suicidas Com a tenacidade dos insensatos Com a presteza dos feridos. Agora quando os sinos tocam sento à porta E na enxurrada das horas que passam Solto sonhos de papel Enquanto o sono não chega Enquanto a morte não beija Enquanto o laço não solta Enquanto o choro não vem.
Escrito por ivoando às 03h51
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AMOR EM DESUSO
Meu amor em desuso bate à porta De vez em quando Na esperança de que o veja E o traga para dentro Junto à lareira Para se aquecer junto ao fogo Contar suas historias E não ficar obtuso. Em alguma data que não preciso Ele saiu de moda Como carro sai de linha E foi ficando assim Esquecido no quintal Servindo às vezes de enfeite Outras de suporte Para devaneios. Mesmo por mim esquecido Eu o vejo pela fresta Quando a saudade incomoda A dor chega de leve E o peito não suporta Que meu coração entrega O quanto dele eu preciso O tanto que sinto falta...
Escrito por ivoando às 23h13
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HOJE
Hoje estou mais sensível do que nunca E assusto quando as coisas me olham. Hoje acordei com vontade De ir nu até um desfiladeiro E gritar eu te amo Com todas as forças Até ficar rouco E voltar pra casa sorrindo Sentindo-me mais leve Cheio de ecos no ouvido. Hoje sonhei que andava no ar E fazia mil voltas Dava vôos rasantes E todos se admiravam Da minha habilidade E riam das peripécias E se escondiam com medo Que lhes pudesse fazer mal Mas eu nem ligava E girava e girava Para mostrar que estava ali E era inofensivo. Hoje minha mente acordou mais cedo E leu os pensamentos dos meus sonhos. Hoje alguma coisa Ficou mais distante de mim Como um romeiro aleijado Que não consegue acompanhar O ritmo alucinado Dos que acompanham andores E querem chegar à frente Como se fossem ao céu E o número de vagas Fosse limitado. Hoje o dia terminou Antes de haver começado. Eu continuo na cama Vendo meu corpo que vaga Perdido em tantas ruas Dobrando tantas esquinas Vendo tantas pessoas Que se assustam Quando eu chego Pois sabem Que não existo.
Escrito por ivoando às 22h13
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VISÕES
Mesmo sem estar te vendo Vejo-te... porque tu existes E vives em minha mente De onde nunca partistes. Uma imagem tão linda Que eu vejo sem a ver E fico me perguntando Se a tenho... sem a ter. Jogo água fria no rosto Para ver se vais embora Mas tu ficas e com gosto Parecendo uma sombra Na minha alma que chora Mesmo que a face esconda.
Escrito por ivoando às 23h35
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SINGELEZAS
Tu és bela sorrindo E chorando mais bela ainda Pois se no riso sua boca se abre Nas lágrimas é tua alma se abrindo. Sou o menino que foi atropelado Quando atravessou a rua para buscar a bola. Os outros sairam correndo para suas casas E fiquei lá estrebuchando Sem saber o que estava acontecendo Como no dia em que nasci E fiquei procurando ar desesperado Sem conhecer nada a minha volta Esperando um olhar meigo que me fitasse Dizendo que a vida é bela E tem sempre um recomeço. Em minhas singelezas busquei o certo e o puro Mas tudo o que fiz saiu errado. Bem mais tarde acabei descobrindo (depois de ter passado por tudo) Que não basta apenas ser bom e querer tanto Pois a vida é um terreno pantanoso Que pode nos tragar a qualquer momento Independente do que somos E toda nossa bondade se vai com o vento E todo nosso querer se transforma em lama. Mostraram-me um mundo com muitas portas Mas nunca me deram as chaves. Fiquei trancado do lado de fora Enquanto lá dentro a festa acontece E toda minha vida passou a ser imaginária E tudo o que fiz acabou sendo pouco Eis que também não me deram as medidas De como as coisas deveriam ser feitas E fui fazendo as coisas a esmo Sempre querendo fazer o que era certo Mas sem uma fórmula que me guiasse Acabei sendo cobaia de mim mesmo. Entre uma estrela e outra o mundo se move Na imensidão de um sonho imutável. Sento na soleira e estendo os olhos Pelas cantigas que vem da infância Pelo silêncio que vem das ruas Pelas lembranças que me comovem Esperando que a alma desfaleça Esperando um bem que não se perca Um sonho que nunca tive E um amor que nada peça.
Escrito por ivoando às 23h15
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ESQUECIMENTOS
De repente me lembro que dia é hoje Mas que importância isso tem? Passaram amantes com risos tímidos Com tanta cumplicidade E paixões se renovaram Enquanto pombos alucinados Se espatifavam no céu. Passaram muitas e muitas crianças Numa cantiga de roda Para dançar os meus olhos No meio da ciranda Que se abre pra mim. Passaram as sombras pela praça Numa louca geometria Como figuras disformes Tentando um triângulo Com linhas paralelas. Passaram tantos olhares distraídos Que nem me viram ali Na penumbra da vida Afagando o sonho De um círculo que fecha. De tudo ficam apenas as datas Mas quem se lembra delas?
Escrito por ivoando às 22h37
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LIMIARES
Não me importo se o sol se foi antes da hora O dia lá fora ainda brilha E as horas são tão relativas Que se desmancham como clara em neve E se espalham pelo fio da vida Como folhas em branco Que o tempo chora. Estou na cabeceira da ponte e o rio passa Como tantas coisas na minha cabeça Que a forma não se define E mesmo assim desfilam como as águas Para preencher meus espasmos Vazios de pensamentos E cheios de desvarios. Em algum lugar do passado perdi o rumo E passei as noites andando como cego Sem saber de que lado estava Quando os ramos de alecrim me tocaram Trazendo-me de volta Para entender a realidade E saber que estava vivo. Quando acordo passeio por meu coração Para saber se os amores florescem E que sentimentos ainda batem Quando do nada as dores pulsam Expondo tantos mistérios Nunca desvendados E que tanto assustam.
Escrito por ivoando às 22h09
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CONSTATAÇÕES (alguma coisa)
Vou desenhando meus poemas Com a língua no canto da boca Como quem espera aprender Aquilo que todos já sabem. Perco-me na distância Entre uma linha e outra. Saí para buscar uma palavra E estou voltando agora Trinta poemas depois. Não encontro mais o poema. (Adélia ri na janela Com o doido na chuva Que não sabe abrir a porta) Exilo-me de mim Para ver se me encontro. Passeio á tarde de mãos dadas Com meus medos fiéis Que nunca me abandonam. À noite volto pra casa E tento me refazer na foto Tento me encontrar nas palavras Que teu coração desenhou E tuas mãos apagaram. Há um silêncio na varanda Que jamais se altera E sempre perturba.
Escrito por ivoando às 21h56
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MEUS CAMINHOS
Por mais coisas que eu carregue Por mais rezas que eu faça Por mais que eu me esforce Todos os caminhos por onde ando não levam a lugar algum. Falhei ao pensar que podia. Quem sou eu para tentar o que quer que seja Se coisas do cotidiano caem pesadamente sobre minha cabeça Como um enorme piano que se desprende do quinto andar E ando como cego sem guia A dar com a cara nas portas Em busca de um lugar Que nem sei se existe. Nunca quis ser o melhor Mas não me bastava apenas ser. Se todos os meus atos pudessem ser medidos em desejos Eu andaria com um sonho imensurável De ver a sombra das pedras ao meio dia Quando os lagartos adentram seus mistérios Escondendo-se dos homens e dos dias Que caem pesadamente Quando as horas morrem. Todas as minhas virtudes são risíveis. Não arrisco nem um palmo de meu extenso rosário de rostos Que tantas vezes me acordaram desfigurados Esperando uma bondade que não tenho Pela própria incapacidade do meu coração Que jaz atado a um tronco De uma árvore centenária Que não soube contar o tempo. Adentro devagar meus recônditos E o que vejo me apavora. Definitivamente não sou nenhum modelo a ser seguido Nem tenho intenção alguma de ser guiado. Ando devagar como serpente que se enrola Esperando o momento certo do bote No sapo hipnotizado Que inocente se prepara Para seu último salto.
Escrito por ivoando às 22h47
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ANDO A BUSCAR UM BEIJO
Ando a buscar um beijo que não mereço Pois tardo entender os sentimentos Que caem vacilantes na tarde trêmula Trazendo desejos incontidos Que se desprenderam da nudez do tempo Entre os amores desenfreados Que lutaram como hunos em batalha E hoje não fazem mais sentido. Ando a buscar uma voz que não existe Nos imensos campos de trigo e ópio Aonde a vida vai lenta e a palavra volta Em busca do eco que nunca teve Pois em toda sua existência não foi dita Embora fosse a predileta Na boca muda de um amante felizardo Que do beijo jamais se absteve. Ando a buscar o fio da minha vida Que me prendeu sempre na mesma teia Tão resistente que nem chances eu tive De abrir os braços quando a noite veio E fiquei olhando o belo do outro lado Esperando o longo beijo que se perdeu Faminto de tantas outras bocas E da minha sempre foi alheio.
Escrito por ivoando às 23h49
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EU RIO
Há um pássaro que sobrevoa Um grande rio de solidão Que desce loucamente Por entre os verdes vales. No trajeto desse rio Não estou naquelas asas Nem nos ramos verdejantes Que embelezam a paisagem. Tampouco estou na foz Porque isso o rio não tem Essas corredeiras sem fim Nunca vão encontrar nada. Tenho um lugar de honra Nesse rio que banha a alma E pela vida decidido Lá em cima... Na nascente.
Escrito por ivoando às 22h51
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SONETO PARA OS QUE FICAM
Saboreio o dia incerto de uma morte eterna Aonde irei sem saber por que nem para onde Encontrar finalmente a alma que hiberna Esperando-me num vale entre luzes de neon. O que dirão os que ficarem depois de mim Vendo-me partir num dia qualquer de outono Absoluto e rindo dentre as flores de carmim Sem ser de ninguém e também de nada dono. Quem sabe os que lerem o que deixo escrito Descubram uma grandeza que nunca tive Nos versos densos de meu ser proscrito Que buscou a paz sem nunca tê-la achado E nos longos dias de sua vida breve Amou muito... Muito mais do que foi amado.
Escrito por ivoando às 22h05
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EU LÍRICO
Meu lirismo anda irritado comigo Porque não sei lhe dar forma Da forma como ele gostaria E o gasto a toa em qualquer esquina Em troca de um sorriso Nos milhares de olhares Que nem sabem por que brilham. Meu lirismo não acredita mais em mim Por mais juras que lhe faça E ri de minhas pretensas dores Que estendo num pano branco a céu aberto Para afugentar os fantasmas Que tomaram conta de minhas noites E me tornaram refém de mim. Meu lirismo esconde as palavras Quando mais delas eu preciso E me bota a pensar coisas sem sentido Na tentativa de deixar obscuros Os sentimentos que pelo dia espalho E só agora ando descobrindo Que meu lirismo é tímido!
Escrito por ivoando às 03h24
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UMA FLOR
Era meio dia da minha existência E ainda dormia quando a primavera Cansada de seus amores Despediu-se das borboletas Deixando-me uma flor. Com ela enfeitei o sentimento Que encontrei órfão na minha porta Numa cestinha de sonhos Ainda tenro e já tão grande Que nem em mim cabia. Hoje ela gosta de divertimentos De me fazer feliz e nos intervalos Brincamos de bem-me-quer E toda vez que distraio Ela me desfolha todo.
Escrito por ivoando às 22h36
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SENSAÇÕES (alguma coisa)
Abdiquei de tudo e saltei Num vôo livre De braços abertos Para o céu Que me chamava. Quando vi o chão Nem acreditei Que ainda estava vivo. Agora ando com essa Sensação de alturas E não encontro meus pés. Não sei quem eu sou Nem onde estou Nem o que vem depois. A vertigem que devia Ter sentido lá em cima Anda comigo e toma Conta do meu corpo. Se não fosse um anjo Que nem vejo Que dirige meu carro Leva-me ao trabalho E fala comigo Estaria nu e louco Desprotegido Tremendo num canto.
Escrito por ivoando às 23h50
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