VERBOS REFLEXIVOS
Eu existo Tu sabes Ele pensa Nos acreditamos Vos amais Eles riem Deus duvida
Escrito por ivoando às 22h38
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HAI-KAI
Tudo que resta de mim É um sentimento Sem fim...
Escrito por ivoando às 23h24
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ATÉ FICAR NADA
Um pouco de tudo Vai fluindo Até ficar nada. Até ficar um pouco Da lembrança Do último passo Que ressoa. Da última voz Que soa no escuro Do vulto Sem sombra. Da alma Que não tem rosto E da reza Sem devotos. Vai o mundo Se esvaindo Aos poucos Até ficar nada.
Escrito por ivoando às 21h48
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SONETO DE TANTO AMAR
Amo-te tanto que não te quero Pois não pode ser objeto de desejo A deusa lapidada com tanto esmero Que a pele exala o sabor de um beijo. Amo-te tanto que te quero longe Para que possa continuar vivo Antes que ao chão o corpo tombe Com a dor de não estar contigo. Amo-te tanto que assim te perco Pois todo ser pelo amor ferido Nenhum ungüento cicatriza o corte. E no peito que tua ausência arrasa Bate em silêncio sempre dolorido Meu coração eternamente em brasa.
Escrito por ivoando às 00h02
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MALAQUIAS, UM PROFETA SEM FUTURO LXXI
- Invejo você, Malaquias. - .............................. - Não se incomoda com ninguém... - Mas incomodo muita gente!
Escrito por ivoando às 23h59
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MINI HISTÓRIAS: A FOLHA
Estava preocupado em desvendar os tantos mistérios da metafísica que não notei quando esta desprendeu-se do galho. Atravessou o espaço vazio entre a copa e o chão e veio pousar suavemente aos meus pés. Será que ela ainda tem vida? Teve medo antes da queda? Uma folha, entre milhares de outras, agoniza diante de mim. A seiva da mãe já não a alimenta e daqui alguns dias estará irremediavelmente seca. Saberia ela dessa condição? Achava que estaria no alto para sempre? No meio de tantas outras, só tenho olhos para ela. Nem posso olhar para outros lados porque na volta, um vento desavisado pode muda-la de lugar e nunca mais saberei quem é ela. Veja-a na minha mão. Sinta como ela ainda palpita. Quando partir, ela continuará aqui, sozinha e insignificante, assim como eu. Vamos levá-la para casa e colar numa folha de caderno? Assim, ela será lembrada para sempre. Vê como suas cores estão voltando? Não a deixe morrer. Deixe-me aquecê-la dentro de seu peito...
Escrito por ivoando às 01h45
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POEMA SEM DATA
Reviro por dentro Tentando um poema Que não sai. E daí? Nascendo ou não Continuará tudo Do mesmo jeito. Poemas não tem idade São para todas as datas E para nenhum momento. Fazendo ou não A vida acelera o passo E o dia segue lento. Dou-lhes vida apenas Para estancar um pouco A dor que está no leito. Só fico triste Por aquele que não fiz E que deveria ter feito.
Escrito por ivoando às 20h06
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A CEIA
Preparo a ceia De mim mesmo Num tabuleiro De xadrez. Torres se desmanchando Cavalos fatigados Bispos céticos E peões em greve Aguardam o momento De degustar meu cérebro No campo que se move De sonho improvisado. A rainha faz pose E o rei acuado Nem percebe Que está em xeque. Serviçais se apressam Para servir Meu coração Numa bandeja. O alimento derradeiro De uma batalha inglória.
Escrito por ivoando às 23h41
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CONDECORAÇÃO
Acabo de receber Uma condecoração Honoris causa Da morte. Nessa comenda Ela me felicita Diz que sou forte E acha graça Como resisto Suas investidas. Só não fala O que me afeta E de que males Padeço. Mas eu sei.
Escrito por ivoando às 23h01
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MALAQUIAS, UM PROFETA SEM FUTURO LXX
- Você precisa ter mais fé, Malaquias. - Na verdade, eu preciso ter mais dinheiro... - A fé pode resolver esse problema também. - Já ganhou na megasena, seu padre?
Escrito por ivoando às 23h50
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O BASTARDINHO II
- Cadê você, filho da puta! Entretido no jardim, ouviu apenas a última palavra e já sabia que a coisa era com ele. Veio correndo porque sabia que desobedecer a um chamado daqueles era quase um suicídio. Como convém nesses momentos que antecedem grandes traumas, parou na porta e só botou meia cara pra dentro. Não adiantou. O vulto cresceu sobre ele, segurando-lhe o braço: - Cadê o dinheiro que estava dentro da santa e você roubou? - Eu não peguei nada, mãe. Antes de pudesse pensar numa estratégia de fuga, o cinto já comia o lombo. Encantoado, tentava defender o rosto, mas o corpo todo era alvo da ira da mãe. A leitura da sentença e aplicação da pena, ao mesmo tempo: - Isso é pra você nunca mais me roubar, seu desgraçado. Alguns minutos e muitos vergões depois estava no quintal novamente. Saíra vivo, mais uma vez. De todo dinheiro que estava na santa, ele pegara apenas dois reais para comprar figurinhas, que já havia perdido no jogo de bafo. O restante deve ter sido aquele bêbado da esquina que visitava sua mãe, mesmo quando ela não estava.
Escrito por ivoando às 17h25
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NANOCONTO: PEDINTE
Pediu um beijo e ganhou uma promessa. Mendiga até hoje.
Escrito por ivoando às 19h24
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EU NAVEGANTE
Navego no escuro. Não tenho planos nem rotas E tampouco sei como se chega A um lugar seguro. A rosa dos ventos secou-se Em minha garganta E meus mapas São tão obsoletos Quanto minhas verdades. Estou à mercê Do açoite das tempestades Que nas noites de incerteza Vão tatuando a morte Na carne viva. Não sou a grande nau Que destemida Singra os mares. Sou apenas e tão somente Um barco à deriva.
Escrito por ivoando às 20h21
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TENHO UM SONHO
Tenho um sonho Quem o quer? Adquiri-o em minhas Andanças mambembes Com ciganos errantes Que me convenceram Ser este O melhor investimento Para meu destino Torto. Dei em troca Todas minhas certezas Acumuladas Ao longo da vida Porque não sabia mais O que fazer com elas. Ele está comigo E me acompanha Em minhas vigílias. Aquece-me a noite E me deixa Acordar com frio De manhã. Tenho um sonho Quem o quer?
Escrito por ivoando às 20h41
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MALAQUIAS, UM PROFETA SEM FUTURO LXIX
- Como está se sentindo depois da pregação, Malaquias? - Estou até me sentindo mal... - Arrependeu-se de seus pecados? - Arrependi de ficar lá ouvindo!
Escrito por ivoando às 22h13
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UM POUCO DAS COISAS
Porque no princípio havia um Gênesis Acordei esperando que a abóboda celeste se abrisse E por ela eu pudesse entrar com todos meus medos Com todos meus disfarces Com todos meus trejeitos de quem pensa que sabe De todas coisas e acorda num inverno cálido Com todas as coisas esperando ser amadas Antes que suas horas terminassem. Porque estava acabrunhado na hora da partida Nem reparei que junto ia um caminhão de cadáveres E já no primeiro sacolejo fiquei face a face Com a morte irônica que me espiava do outro lado Da cidade que festejava seu padroeiro Enquanto este roncava no céu de barriga cheia De orações e súplicas que ele sabia Que nunca seriam ouvidas e ria da crendice popular Que gastava lágrimas à toa. Acordei assustado num mundo de mazelas Que me obrigavam caminhar com os pés descalços E riam de mim que me preocupava com os outros E tinham pena de mim porque não acreditava Enquanto para todos as coisas eram tão límpidas Que me puseram louco a olhar pra o infinito Esperando uma escada rolante que me levasse A um recinto onde todos meus problemas Seriam resolvidos num abrir e fechar de olhos Que renunciei com um muito obrigado Com medo que meus olhos não mais se abrissem. De um ponto a outro da terra passeei meus sentimentos Sem deter meus sentidos em nenhum deles Mentindo a mim mesmo que era forte E podia carregar todas as dores do mundo às costas Sem preocupar-me com os instintos bestiais Que iam aflorando a cada instante em cada gente Que debochavam de suas próprias caricaturas Pois sabiam que o belo havia dado lugar ao vago E não havia mais nenhum lugar nesse mundo Onde a bondade pudesse depositar seus ovos. Fui levantando edifícios em terrenos pantanosos Na ânsia de conseguir sair dos labirintos torpes Que armavam ciladas em cada beco E faziam eco a todas as vozes que saíam das sombras Para que os sentidos se perdessem no lodo E não pudessem sentir a chegada da primavera Trazendo no seio a última flor do ùltimo fruto Do ventre que abortou e foi esquecido. De todas as formas de amar eu amei e com todas as forças E todas as coisas que meu coração sangrou no instante Que a mata fechada se abriu e de lá saiu uma criança Que me abraçou na hora mais triste Em que juntava minhas coisas para deixar o mundo E me disse que a vida é um breve instante E cada coisa tem um significado e faz da gente Um elemento tão importante que não faz sentido Deixar o mundo pela porta dos fundos Quando um tapete vermelho espera na frente. Por ser assim de natureza notívaga e itinerante Não consigo ver as coisas pelo mesmo lado Que todo vê e acha bonito e acha certo Que todo mundo veja daquele jeito e fazem questão De mostrar o tempo todo o limite do razoável Para que tudo continue no mesmo lugar E não haja surpresas desagradáveis Pois há uma lei para o bem e para o mal Da qual ninguém escapa e todos estão sujeitos Para que você se adapte e se foda.
Escrito por ivoando às 06h37
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HAI KAI
Com lágrimas que são óleos Banha a menina Dos olhos.
Escrito por ivoando às 22h26
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DE TUDO QUE SEI
De tudo que sei nada fiz A não ser deixar meu corpo Vagar pelo etéreo Como matéria viva Em sintonia com tantos seres Que tantas vezes desfizeram Tantos sonhos que plantei Tanto amor que me mataram. Do que resta nada sei Nem espero recompensa. Vivo apenas Como uma sombra que passa Como fantasma no espelho Que assusta uma santa. Não me comovem lembranças Nem meu corpo jogado às traças.
Escrito por ivoando às 23h27
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NO VENTRE DA TERRA
No ventre da terra, entre aromas trazidos pelo vento Encontrei o dia, que ao ver-me Quebrou-se como vidro. Nem bem meus olhos cegaram E já estava à margem da vida, nas calçadas Onde os pés errantes fogem do frio. Cobri-me com a brisa matutina das brumas E saí tateando as cores das palavras Onde busco o verde da infância Como uma manga temporã.
Escrito por ivoando às 19h51
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MALAQUIAS, UM PROFETA SEM FUTURO LXIII
- Você vai acabar perdendo sua alma, Malaquias? - Ela já está perdida. - Isso não te dá medo? - Dá sim... Medo de encontrá-la!
Escrito por ivoando às 21h22
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