Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, BARRA DO GARCAS, Homem, Portuguese, Arte e cultura
Outro - DIREITOS RESERVADOS DO AUTOR




Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
  BlogBlogs.Com.Br
 loucura por inércia




Blog de ivoando
 


VAGUIDÃO

 

Vago incerto

Tendo à frente

Um chão aberto

Onde caio todos os dias

E sempre volto

Para cair de novo

Pois a vida me deu

Além da voz

Esse grito mudo

Que tenho que soltar

Todos os dias.

 

Também cai o dia

Quando as horas

Riem de mim

E todos os caminhos

Conduzem a mim mesmo

E terminam num ponto

Sem reticências

Onde vago cego

Tendo pela frente

Uma longa noite

E tua ausência.



Escrito por ivoando às 21h54
[] [envie esta mensagem
] []





DOIS ANOS DE IVOANDO

Tudo começou num domingo à tarde. Enfadonho como todos os outros. Lá estava eu pulando de site em site e pensando na efemeridade da vida quando me dei conta que muitas tardes daquela já haviam se passado e pouca coisa de concreto eu havia feito até então.  Desafio de começar um blog surgiu da necessidade de deixar de ser platônico, no sentido de ser escritor apenas no mundo das idéias e também, para deixar o comodismo um pouco de lado. É fácil você dizer que é escritor, mas na hora de apresentar alguma coisa sua escrita, cadê? Partindo do princípio um pouco utópico, que podemos ser aquilo que queremos, topei o desafio feito por mim a mim mesmo e há exatos dois anos, sem que uma única semana falhasse, posto aqui meus devaneios.

 

Desde então, muita água passou por debaixo dessa ponte. Não apenas debaixo dela, mas por cima também. Teve dias em que o rio transbordou, arrastando esse blogueiro e suas idéias para uma correnteza que parecia sem volta. Mas a história caminha em círculos e não em linha reta e a gente sempre acaba voltando ao desafio de estar sempre numa margem e cada texto escrito é um passo para tentar atingir a outra. Como poeticamente já disse Mário Benedetti:“Para cruzá-la ou não cruzá-la, eis a ponte/ Na outra margem alguém me espera com um pêssego e um país...”

 

Assim, vou fazendo desse espaço um local onde morro e ressuscito sempre. Onde fico exausto e renovado. Alegre e triste. Aqui, todos os paradoxos se encontram. As pessoas se encontram. Eu me encontro com as pessoas. Cada texto tem um significado para mim que pode ser diferente para outros. São filhos feitos para o mundo e, se são amados ou não, independe de quem os criou. E mesmo assim, continua criando...



Escrito por ivoando às 22h36
[] [envie esta mensagem
] []





UM POUCO DO QUE NÃO SOMOS

 

Um pouco de humor, sal e matéria desprendem de mim

Misturando-se aos devaneios metafísicos

Enquanto meu ser calado se veste de quem não sou

E sai distribuindo sorrisos na vizinhança

Esperando ser visto como gente

E ser tratado como um ser normal.

 

Enganam-se os que pensam que sou o que aparento ser.

Há em mim toda uma carga de ceticismo

Que varro pacientemente debaixo do tapete

E ando a falar mal de filantropias

Que deixam as pessoas tão contentes

Que as fazem sentirem-se realizadas

E colocam um pouco de vida em sua vida inútil

E coloca um campo protetor em suas mentes sujas

E as fazem sentirem-se bem

Como se servissem para alguma coisa.

 

Causa-me desconforto saber que cada um pensa

E vive apenas de acordo com o que acha que é certo

Mas nunca parou para pensar se o certo existe

E vai transmitindo à prole pensamentos tortos

E os proíbe de pensar com medo

De que eles vejam o quão torpe o pensamento se torna

Quando não foi pensado para ser o melhor

Mas para defender suas causas inócuas

Que não servem absolutamente para nada

Mas são a razão de seus dias lerdos.

 

Pessoas lojas e letreiros se misturam nas esquinas

Enquanto passo por eles sem estar ali.

A inexatidão das coisas e das horas me oprime

E me põe a pensar onde eu estaria

Se não estivesse ali naquele momento inseguro

Onde todos me vêem e não sou visto

Porque não faço parte de seus campos de visão

E seus olhos foram treinados para ver letreiros

E não para decifrar pessoas.

 

Sinto as pessoas me perscrutando quando as olho

Ou quando delas me aproximo indiferente.

Esboço então um sorriso tímido

Como se estivesse perdido de mim

E não ofereço perigo algum

Nem serei a causa de seus dissabores

Para desarmar os espíritos

Para que vejam que sou apenas gente

E não como seu inimigo oculto

Projetado por sua mente

Que a faz ter medo do mundo.



Escrito por ivoando às 01h33
[] [envie esta mensagem
] []





NÃO ME APAVORA

Minha amada

Olha lá fora

O dia é quente

E o sol tão inclemente

Que até desafora

Não me apavora!

 

Eu não tenho

Nem lugar agora

Para meus versos

Que estão sem berço

Desde a aurora

Não me apavora!

 

Olha o vento

Que a brisa namora

E sempre atenta

No meio da tormenta

Um beijo elabora

Não me apavora!

 

Sonho como cego

E se o tempo demora

Pouco me importa

A vida é toda incerta

Minha amada

Não me apavora!



Escrito por ivoando às 23h57
[] [envie esta mensagem
] []





PERGUNTAS

 

Perguntam-me

Com palavras belas

Com argumentos exatos

Com a boca em linha reta

Na posição inflexível

De quem já sabe a resposta

Ou imagina que saiba

E fica esperando a minha

Para poder combatê-la.

 

A verdade pediu licença

E deitou-se ali

Junto ao cão na sarjeta.

 

As respostas existem

Para ser apenas resposta

E não trazer definição.

 

Como posso responder

Se o mundo não tem clareza

 

Como hei de saber

Se nem de mim tenho certeza.



Escrito por ivoando às 23h57
[] [envie esta mensagem
] []





DEPOSITÁRIO DE SONHOS

Tenho medo de virar deserto

Quando não houver mais palavras que me definam.

 

Um barco partiu à noite sem ninguém a bordo

E sem que ninguém o visse partir

Navegando agora quem sabe aonde

Sem uma mão que lhe dê prumo

Sem um mapa que lhe dê rota

Sem um verso que lhe dê sentido

Sem uma alma que lhe dê vida.

 

Todos meus sonhos estavam nesse barco

Guardados em baús sem chaves

Juntados em tantos anos de vida

Com a paciência dos abnegados

Com a calma dos suicidas

Com a tenacidade dos insensatos

Com a presteza dos feridos.

 

Agora quando os sinos tocam sento à porta

E na enxurrada das horas que passam

Solto sonhos de papel

Enquanto o sono não chega

Enquanto a morte não beija

Enquanto o laço não solta

Enquanto o choro não vem.



Escrito por ivoando às 03h51
[] [envie esta mensagem
] []





AMOR EM DESUSO

Meu amor em desuso bate à porta

De vez em quando

Na esperança de que o veja

E o traga para dentro

Junto à lareira

Para se aquecer junto ao fogo

Contar suas historias

E não ficar obtuso.

 

Em alguma data que não preciso

Ele saiu de moda

Como carro sai de linha

E foi ficando assim

Esquecido no quintal

Servindo às vezes de enfeite

Outras de suporte

Para devaneios.

 

Mesmo por mim esquecido

Eu o vejo pela fresta

Quando a saudade incomoda

A dor chega de leve

E o peito não suporta

Que meu coração entrega

O quanto dele eu preciso

O tanto que sinto falta...



Escrito por ivoando às 23h13
[] [envie esta mensagem
] []





HOJE

 

Hoje estou mais sensível do que nunca

E assusto quando as coisas me olham.

 

Hoje acordei com vontade

De ir nu até um desfiladeiro

E gritar eu te amo

Com todas as forças

Até ficar rouco

E voltar pra casa sorrindo

Sentindo-me mais leve

Cheio de ecos no ouvido.

 

Hoje sonhei que andava no ar

E fazia mil voltas

Dava vôos rasantes

E todos se admiravam

Da minha habilidade

E riam das peripécias

E se escondiam com medo

Que lhes pudesse fazer mal

Mas eu nem ligava

E girava e girava

Para mostrar que estava ali

E era inofensivo.

 

Hoje minha mente acordou mais cedo

E leu os pensamentos dos meus sonhos.

 

Hoje alguma coisa

Ficou mais distante de mim

Como um romeiro aleijado

Que não consegue acompanhar

O ritmo alucinado

Dos que acompanham andores

E querem chegar à frente

Como se fossem ao céu

E o número de vagas

Fosse limitado.

 

Hoje o dia terminou

Antes de haver começado.

Eu continuo na cama

Vendo meu corpo que vaga

Perdido em tantas ruas

Dobrando tantas esquinas

Vendo tantas pessoas

Que se assustam

Quando eu chego

Pois sabem

Que não existo.



Escrito por ivoando às 22h13
[] [envie esta mensagem
] []





VISÕES

 

Mesmo sem estar te vendo

Vejo-te... porque tu existes

E vives em minha mente

De onde nunca partistes.

 

Uma imagem tão linda

Que eu vejo sem a ver

E fico me perguntando

Se a tenho... sem a ter.

 

Jogo água fria no rosto

Para ver se vais embora

Mas tu ficas e com gosto

 

Parecendo uma sombra

Na minha alma que chora

Mesmo que a face esconda.



Escrito por ivoando às 23h35
[] [envie esta mensagem
] []





SINGELEZAS

Tu és bela sorrindo

E chorando mais bela ainda

Pois se no riso sua boca se abre

Nas lágrimas é tua alma se abrindo.

 

Sou o menino que foi atropelado

Quando atravessou a rua para buscar a bola.

Os outros sairam correndo para suas casas

E fiquei lá estrebuchando

Sem saber o que estava acontecendo

Como no dia em que nasci

E fiquei procurando ar desesperado

Sem conhecer nada a minha volta

Esperando um olhar meigo que me fitasse

Dizendo que a vida é bela

E tem sempre um recomeço.

 

Em minhas singelezas busquei o certo e o puro

Mas tudo o que fiz saiu errado.

Bem mais tarde acabei descobrindo

(depois de ter passado por tudo)

Que não basta apenas ser bom e querer tanto

Pois a vida é um terreno pantanoso

Que pode nos tragar a qualquer momento

Independente do que somos

E toda nossa bondade se vai com o vento

E todo nosso querer se transforma em lama.

 

Mostraram-me um mundo com muitas portas

Mas nunca me deram as chaves.

Fiquei trancado do lado de fora

Enquanto lá dentro a festa acontece

E toda minha vida passou a ser imaginária

E tudo o que fiz acabou sendo pouco

Eis que também não me deram as medidas

De como as coisas deveriam ser feitas

E fui fazendo as coisas a esmo

Sempre querendo fazer o que era certo

Mas sem uma fórmula que me guiasse

Acabei sendo cobaia de mim mesmo.

 

Entre uma estrela e outra o mundo se move

Na imensidão de um sonho imutável.

Sento na soleira e estendo os olhos

Pelas cantigas que vem da infância

Pelo silêncio que vem das ruas

Pelas lembranças que me comovem

Esperando que a alma desfaleça

Esperando um bem que não se perca

Um sonho que nunca tive

E um amor que nada peça.



Escrito por ivoando às 23h15
[] [envie esta mensagem
] []





ESQUECIMENTOS

De repente me lembro que dia é hoje

Mas que importância isso tem?

 

Passaram amantes com risos tímidos

Com tanta cumplicidade

E paixões se renovaram

Enquanto pombos alucinados

Se espatifavam no céu.

 

Passaram muitas e muitas crianças

Numa cantiga de roda

Para dançar os meus olhos

No meio da ciranda

Que se abre pra mim.

 

Passaram as sombras pela praça

Numa louca geometria

Como figuras disformes

Tentando um triângulo

Com linhas paralelas.

 

Passaram tantos olhares distraídos

Que nem me viram ali

Na penumbra da vida

Afagando o sonho

De um círculo que fecha.

 

De tudo ficam apenas as datas

Mas quem se lembra delas?



Escrito por ivoando às 22h37
[] [envie esta mensagem
] []





LIMIARES

Não me importo se o sol se foi antes da hora

O dia lá fora ainda brilha

E as horas são tão relativas

Que se desmancham como clara em neve

E se espalham pelo fio da vida

Como folhas em branco

Que o tempo chora.

 

Estou na cabeceira da ponte e o rio passa

Como tantas coisas na minha cabeça

Que a forma não se define

E mesmo assim desfilam como as águas

Para preencher meus espasmos

Vazios de pensamentos

E cheios de desvarios.

 

Em algum lugar do passado perdi o rumo

E passei as noites andando como cego

Sem saber de que lado estava

Quando os ramos de alecrim me tocaram

Trazendo-me de volta

Para entender a realidade

E saber que estava vivo.

 

Quando acordo passeio por meu coração

Para saber se os amores florescem

E que sentimentos ainda batem

Quando do nada as dores pulsam

Expondo tantos mistérios

Nunca desvendados

E que tanto assustam.



Escrito por ivoando às 22h09
[] [envie esta mensagem
] []





CONSTATAÇÕES (alguma coisa)

Vou desenhando meus poemas

Com a língua no canto da boca

Como quem espera aprender

Aquilo que todos já sabem.

 

Perco-me na distância

Entre uma linha e outra.

Saí para buscar uma palavra

E estou voltando agora

Trinta poemas depois.

Não encontro mais o poema.

(Adélia ri na janela

Com o doido na chuva

Que não sabe abrir a porta)

 

Exilo-me de mim

Para ver se me encontro.

 

Passeio á tarde de mãos dadas

Com meus medos fiéis

Que nunca me abandonam.

À noite volto pra casa

E tento me refazer na foto

Tento me encontrar nas palavras

Que teu coração desenhou

E tuas mãos apagaram.

 

Há um silêncio na varanda

Que jamais se altera

E sempre perturba.



Escrito por ivoando às 21h56
[] [envie esta mensagem
] []





MEUS CAMINHOS

 

Por mais coisas que eu carregue

Por mais rezas que eu faça

Por mais que eu me esforce

Todos os caminhos por onde ando não levam a lugar algum.

 

Falhei ao pensar que podia.

Quem sou eu para tentar o que quer que seja

Se coisas do cotidiano caem pesadamente sobre minha cabeça

Como um enorme piano que se desprende do quinto andar

E ando como cego sem guia

A dar com a cara nas portas

Em busca de um lugar

Que nem sei se existe.

 

Nunca quis ser o melhor

Mas não me bastava apenas ser.

Se todos os meus atos pudessem ser medidos em desejos

Eu andaria com um sonho imensurável

De ver a sombra das pedras ao meio dia

Quando os lagartos adentram seus mistérios

Escondendo-se dos homens e dos dias

Que caem pesadamente

Quando as horas morrem.

 

Todas as minhas virtudes são risíveis.

Não arrisco nem um palmo de meu extenso rosário de rostos

Que tantas vezes me acordaram desfigurados

Esperando uma bondade que não tenho

Pela própria incapacidade do meu coração

Que jaz atado a um tronco

De uma árvore centenária

Que não soube contar o tempo.

 

Adentro devagar meus recônditos

E o que vejo me apavora.

Definitivamente não sou nenhum modelo a ser seguido

Nem tenho intenção alguma de ser guiado.

Ando devagar como serpente que se enrola

Esperando o momento certo do bote

No sapo hipnotizado

Que inocente se prepara

Para seu último salto.



Escrito por ivoando às 22h47
[] [envie esta mensagem
] []





ANDO A BUSCAR UM BEIJO

 

Ando a buscar um beijo que não mereço

Pois tardo entender os sentimentos

Que caem vacilantes na tarde trêmula

Trazendo desejos incontidos

Que se desprenderam da nudez do tempo

Entre os amores desenfreados

Que lutaram como hunos em batalha

E hoje não fazem mais sentido.

 

Ando a buscar uma voz que não existe

Nos imensos campos de trigo e ópio

Aonde a vida vai lenta e a palavra volta

Em busca do eco que nunca teve

Pois em toda sua existência não foi dita

Embora fosse a predileta

Na boca muda de um amante felizardo

Que do beijo jamais se absteve.

 

Ando a buscar o fio da minha vida

Que me prendeu sempre na mesma teia

Tão resistente que nem chances eu tive

De abrir os braços quando a noite veio

E fiquei olhando o belo do outro lado

Esperando o longo beijo que se perdeu

Faminto de tantas outras bocas

E da minha sempre foi alheio.



Escrito por ivoando às 23h49
[] [envie esta mensagem
] []





EU RIO

 

Há um pássaro que sobrevoa

Um grande rio de solidão

Que desce loucamente

Por entre os verdes vales.

 

No trajeto desse rio

Não estou naquelas asas

Nem nos ramos verdejantes

Que embelezam a paisagem.

 

Tampouco estou na foz

Porque isso o rio não tem

Essas corredeiras sem fim

Nunca vão encontrar nada.

 

Tenho um lugar de honra

Nesse rio que banha a alma

E pela vida decidido

Lá em cima... Na nascente.

 



Escrito por ivoando às 22h51
[] [envie esta mensagem
] []





SONETO PARA OS QUE FICAM

 

Saboreio o dia incerto de uma morte eterna

Aonde irei sem saber por que nem para onde

Encontrar finalmente a alma que hiberna

Esperando-me num vale entre luzes de neon.

 

O que dirão os que ficarem depois de mim

Vendo-me partir num dia qualquer de outono

Absoluto e rindo dentre as flores de carmim

Sem ser de ninguém e também de nada dono.

 

Quem sabe os que lerem o que deixo escrito

Descubram uma grandeza que nunca tive

Nos versos densos de meu ser proscrito

 

Que buscou a paz sem nunca tê-la achado

E  nos longos dias de sua vida breve

Amou muito... Muito mais do que foi amado.



Escrito por ivoando às 22h05
[] [envie esta mensagem
] []





EU LÍRICO

 

Meu lirismo anda irritado comigo

Porque não sei lhe dar forma

Da forma como ele gostaria

E o gasto a toa em qualquer esquina

Em troca de um sorriso

Nos milhares de olhares

Que nem sabem por que brilham.

 

Meu lirismo não acredita mais em mim

Por mais juras que lhe faça

E ri de minhas pretensas dores

Que estendo num pano branco a céu aberto

Para afugentar os fantasmas

Que tomaram conta de minhas noites

E me tornaram refém de mim.

 

Meu lirismo esconde as palavras

Quando mais delas eu preciso

E me bota a pensar coisas sem sentido

Na tentativa de deixar obscuros

Os sentimentos que pelo dia espalho

E só agora ando descobrindo

Que meu lirismo é tímido!



Escrito por ivoando às 03h24
[] [envie esta mensagem
] []





UMA FLOR

Era meio dia da minha existência

E ainda dormia quando a primavera

Cansada de seus amores

Despediu-se das borboletas

Deixando-me uma flor.

 

Com ela enfeitei o sentimento

Que encontrei órfão na minha porta

Numa cestinha de sonhos

Ainda tenro e já tão grande

Que nem em mim cabia.

 

Hoje ela gosta de divertimentos

De me fazer feliz e nos intervalos

Brincamos de bem-me-quer

E toda vez que distraio

Ela me desfolha todo.



Escrito por ivoando às 22h36
[] [envie esta mensagem
] []





SENSAÇÕES (alguma coisa)

 

Abdiquei de tudo e saltei

Num vôo livre

De braços abertos

Para o céu

Que me chamava.

Quando vi o chão

Nem acreditei

Que ainda estava vivo.

 

Agora ando com essa

Sensação de alturas

E não encontro meus pés.

Não sei quem eu sou

Nem onde estou

Nem o que vem depois.

A vertigem que devia

Ter sentido lá em cima

Anda comigo e toma

Conta do meu corpo.

 

Se não fosse um anjo

Que nem vejo

Que dirige meu carro

Leva-me ao trabalho

E fala comigo

Estaria nu e louco

Desprotegido

Tremendo num canto. 



Escrito por ivoando às 23h50
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]