Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, BARRA DO GARCAS, Homem, Portuguese, Arte e cultura
Outro - DIREITOS RESERVADOS DO AUTOR




Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
  BlogBlogs.Com.Br
 loucura por inércia




Blog de ivoando
 


VERBOS REFLEXIVOS

 

Eu existo

Tu sabes

Ele pensa

Nos acreditamos

Vos amais

Eles riem

 

 

Deus duvida



Escrito por ivoando às 22h38
[] [envie esta mensagem
] []





HAI-KAI

               Tudo que resta de mim

 

                  É um sentimento

 

                     Sem fim...



Escrito por ivoando às 23h24
[] [envie esta mensagem
] []





ATÉ FICAR NADA

 

Um pouco de tudo

Vai fluindo

Até ficar nada.

 

Até ficar um pouco

Da lembrança

Do último passo

Que ressoa.

 

Da última voz

Que soa no escuro

Do vulto

Sem sombra.

 

Da alma

Que não tem rosto

E da reza

Sem devotos.

 

Vai o mundo

Se esvaindo

Aos poucos

Até ficar nada. 



Escrito por ivoando às 21h48
[] [envie esta mensagem
] []





SONETO DE TANTO AMAR

 

Amo-te tanto que não te quero

Pois não pode ser objeto de desejo

A deusa lapidada com tanto esmero

Que a pele exala o sabor de um beijo.

 

Amo-te tanto que te quero longe

Para que possa continuar vivo

Antes que ao chão o corpo tombe

Com a dor de não estar contigo.

 

Amo-te tanto que assim te perco

Pois todo ser pelo amor ferido

Nenhum ungüento cicatriza o corte.

 

E no peito que tua ausência arrasa

Bate em silêncio sempre dolorido

Meu coração eternamente em brasa.



Escrito por ivoando às 00h02
[] [envie esta mensagem
] []





MALAQUIAS, UM PROFETA SEM FUTURO LXXI

 

- Invejo você, Malaquias.

 

- ..............................

 

- Não se incomoda com ninguém...

 

- Mas incomodo muita gente!



Escrito por ivoando às 23h59
[] [envie esta mensagem
] []





MINI HISTÓRIAS: A FOLHA

 

Estava preocupado em desvendar os tantos mistérios da metafísica que não notei quando esta desprendeu-se do galho. Atravessou o espaço vazio entre a copa e o chão e veio pousar suavemente aos meus pés. Será que ela ainda tem vida? Teve medo antes da queda? Uma folha, entre milhares de outras, agoniza diante de mim. A seiva da mãe já não a alimenta e daqui alguns dias estará irremediavelmente seca. Saberia ela dessa condição? Achava que estaria no alto para sempre? No meio de tantas outras, só tenho olhos para ela. Nem posso olhar para outros lados porque na volta, um vento desavisado pode muda-la de lugar e nunca mais saberei quem é ela. Veja-a na minha mão. Sinta como ela ainda palpita. Quando partir, ela continuará aqui, sozinha e insignificante, assim como eu. Vamos levá-la para casa e colar numa folha de caderno? Assim, ela será lembrada para sempre. Vê como suas cores estão voltando? Não a deixe morrer. Deixe-me aquecê-la dentro de seu peito...



Escrito por ivoando às 01h45
[] [envie esta mensagem
] []





POEMA SEM DATA

 

Reviro por dentro

Tentando um poema

Que não sai.

 

E daí?

 

Nascendo ou não

Continuará tudo

Do mesmo jeito.

 

Poemas não tem idade

São para todas as datas

E para nenhum momento.

 

Fazendo ou não

A vida acelera o passo

E o dia segue lento.

 

Dou-lhes vida apenas

Para estancar um pouco

A dor que está no leito.

 

Só fico triste

Por aquele que não fiz

E que deveria ter feito.



Escrito por ivoando às 20h06
[] [envie esta mensagem
] []





A CEIA

 

Preparo a ceia

De mim mesmo

Num tabuleiro

De xadrez.

 

Torres se desmanchando

Cavalos fatigados

Bispos céticos

E peões em greve

Aguardam o momento

De degustar meu cérebro

No campo que se move

De sonho improvisado.

 

A rainha faz pose

E o rei acuado

Nem percebe

Que está em xeque.

 

Serviçais se apressam

Para servir

Meu coração

Numa bandeja.

 

O alimento derradeiro

De uma batalha inglória.



Escrito por ivoando às 23h41
[] [envie esta mensagem
] []





CONDECORAÇÃO

 

Acabo de receber

Uma condecoração

Honoris causa

Da morte.

 

Nessa comenda

Ela me felicita

Diz que sou forte

E acha graça

Como resisto

Suas investidas.

 

Só não fala

O que me afeta

E de que males

Padeço.

 

Mas eu sei.



Escrito por ivoando às 23h01
[] [envie esta mensagem
] []





MALAQUIAS, UM PROFETA SEM FUTURO LXX

 

- Você precisa ter mais fé, Malaquias.

 

- Na verdade, eu preciso ter mais dinheiro...

 

- A fé pode resolver esse problema também.

 

- Já ganhou na megasena, seu padre?



Escrito por ivoando às 23h50
[] [envie esta mensagem
] []





O BASTARDINHO II

 

 

- Cadê você, filho da puta!

 

Entretido no jardim, ouviu apenas a última palavra e já sabia que a coisa era com ele. Veio correndo porque sabia que desobedecer a um chamado daqueles era quase um suicídio. Como convém nesses momentos que antecedem grandes traumas, parou na porta e só botou meia cara pra dentro. Não adiantou. O vulto cresceu sobre ele, segurando-lhe o braço:

 

- Cadê o dinheiro que estava dentro da santa e você roubou?

 

- Eu não peguei nada, mãe.

 

Antes de pudesse pensar numa estratégia de fuga, o cinto já comia o lombo. Encantoado, tentava defender o rosto, mas o corpo todo era alvo da ira da mãe. A leitura da sentença e aplicação da pena, ao mesmo tempo:

 

- Isso é pra você nunca mais me roubar, seu desgraçado.

 

Alguns minutos e muitos vergões depois estava no quintal novamente. Saíra vivo, mais uma vez. De todo dinheiro que estava na santa, ele pegara apenas dois reais para comprar figurinhas, que já havia perdido no jogo de bafo. O restante deve ter sido aquele bêbado da esquina que visitava sua mãe, mesmo quando ela não estava.



Escrito por ivoando às 17h25
[] [envie esta mensagem
] []





NANOCONTO: PEDINTE

 

Pediu um beijo e ganhou uma promessa.

 

Mendiga até hoje.



Escrito por ivoando às 19h24
[] [envie esta mensagem
] []





EU NAVEGANTE

 

Navego no escuro.

Não tenho planos nem rotas

E tampouco sei como se chega

A um lugar seguro.

 

A rosa dos ventos secou-se

Em minha garganta

E meus mapas

São tão obsoletos

Quanto minhas verdades.

 

Estou à mercê

Do açoite das tempestades

Que nas noites de incerteza

Vão tatuando a morte

Na carne viva.

 

Não sou a grande nau

Que destemida

Singra os mares.

 

Sou apenas e tão somente

Um barco à deriva.



Escrito por ivoando às 20h21
[] [envie esta mensagem
] []





TENHO UM SONHO

 

Tenho um sonho

Quem o quer?

 

Adquiri-o em minhas

Andanças mambembes

Com ciganos errantes

Que me convenceram

Ser este

O melhor investimento

Para meu destino

Torto.

 

Dei em troca

Todas minhas certezas

Acumuladas

Ao longo da vida

Porque não sabia mais

O que fazer com elas.

 

Ele está comigo

E me acompanha

Em minhas vigílias.

Aquece-me a noite

E me deixa

Acordar com frio

De manhã.

 

Tenho um sonho

Quem o quer?



Escrito por ivoando às 20h41
[] [envie esta mensagem
] []





MALAQUIAS, UM PROFETA SEM FUTURO LXIX

 

- Como está se sentindo depois da pregação, Malaquias?

 

- Estou até me sentindo mal...

 

- Arrependeu-se de seus pecados?

 

- Arrependi de ficar lá ouvindo!



Escrito por ivoando às 22h13
[] [envie esta mensagem
] []





UM POUCO DAS COISAS

 

Porque no princípio havia um Gênesis

Acordei esperando que a abóboda celeste se abrisse

E por ela eu pudesse entrar com todos meus medos

Com todos meus disfarces

Com todos meus trejeitos de quem pensa que sabe

De todas coisas e acorda num  inverno cálido

Com todas as coisas esperando ser amadas

Antes que suas horas terminassem.

 

Porque estava acabrunhado na hora da partida

Nem reparei que junto ia um caminhão de cadáveres

E já no primeiro sacolejo fiquei face a face

Com a morte irônica que me espiava do outro lado

Da cidade que festejava seu padroeiro

Enquanto este roncava no céu de barriga cheia

De orações e súplicas que ele sabia

Que nunca seriam ouvidas e ria da crendice popular

Que gastava lágrimas à toa.

 

Acordei assustado num mundo de mazelas

Que me obrigavam caminhar com os pés descalços

E riam de mim que me preocupava com os outros

E tinham pena de mim porque não acreditava

Enquanto para todos as coisas eram tão límpidas

Que me puseram louco a olhar pra o infinito

Esperando uma escada rolante que me levasse

A um recinto onde todos meus problemas

Seriam resolvidos num abrir e fechar de olhos

Que renunciei com um muito obrigado

Com medo que meus olhos não mais se abrissem.

 

De um ponto a outro da terra passeei meus sentimentos

Sem deter meus sentidos em nenhum deles

Mentindo a mim mesmo que era forte

E podia carregar todas as dores do mundo às costas

Sem preocupar-me com os instintos bestiais

Que iam aflorando a cada instante em cada gente

Que debochavam de suas próprias caricaturas

Pois sabiam que o belo havia dado lugar ao vago

E não havia mais nenhum lugar nesse mundo

Onde a bondade pudesse depositar seus ovos.

 

Fui levantando edifícios em terrenos pantanosos

Na ânsia de conseguir sair dos labirintos torpes

Que armavam ciladas em cada beco

E faziam eco a todas as vozes que saíam das sombras

Para que os sentidos se perdessem no lodo

E não pudessem sentir a chegada da primavera

Trazendo no seio a última flor do ùltimo fruto

Do ventre que abortou e foi esquecido.

 

De todas as formas de amar eu amei e com todas as forças

E todas as coisas que meu coração sangrou no instante

Que a mata fechada se abriu e de lá saiu uma criança

Que me abraçou na hora mais triste

Em que juntava minhas coisas para deixar o mundo

E me disse que a vida é um breve instante

E cada coisa tem um significado e faz da gente

Um elemento tão importante que não faz sentido

Deixar o mundo pela porta dos fundos

Quando um tapete vermelho espera na frente.

 

Por ser assim de natureza notívaga e itinerante

Não consigo ver as coisas pelo mesmo lado

Que todo vê e acha bonito e acha certo

Que todo mundo veja daquele jeito e fazem questão

De mostrar o tempo todo o limite do razoável

Para que tudo continue no mesmo lugar

E não haja surpresas desagradáveis

Pois há uma lei para o bem e para o mal

Da qual ninguém escapa e todos estão sujeitos

Para que você se adapte e se foda.



Escrito por ivoando às 06h37
[] [envie esta mensagem
] []





HAI KAI

          Com lágrimas que são óleos

 

                    Banha a menina

 

                        Dos olhos.



Escrito por ivoando às 22h26
[] [envie esta mensagem
] []





DE TUDO QUE SEI

 

De tudo que sei nada fiz

A não ser deixar meu corpo

Vagar pelo etéreo

Como matéria viva

Em sintonia com tantos seres

Que tantas vezes desfizeram

Tantos sonhos que plantei

Tanto amor que me mataram.

 

Do que resta nada sei

Nem espero recompensa.

Vivo apenas

Como uma sombra que passa

Como fantasma no espelho

Que assusta uma santa.

Não me comovem lembranças

Nem meu corpo jogado às traças.



Escrito por ivoando às 23h27
[] [envie esta mensagem
] []





NO VENTRE DA TERRA

 

No ventre da terra, entre aromas trazidos pelo vento

Encontrei o dia, que ao ver-me

Quebrou-se como vidro.

 

Nem bem meus olhos cegaram

E já estava à margem da vida, nas calçadas

Onde os pés errantes fogem do frio.

 

Cobri-me com a brisa matutina das brumas

E saí tateando as cores das palavras

Onde busco o verde da infância

Como uma manga temporã.



Escrito por ivoando às 19h51
[] [envie esta mensagem
] []





MALAQUIAS, UM PROFETA SEM FUTURO LXIII

 

- Você vai acabar perdendo sua alma, Malaquias?

 

- Ela já está perdida.

 

- Isso não te dá medo?

 

- Dá sim... Medo de encontrá-la!

 



Escrito por ivoando às 21h22
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]