PENSAMENTOS VÃOS
Em quantos pensamentos vãos minha cabeça arde Quando o dia começa como uma cortina que não abre E tento descer do ego como alpinista sem escada Que um dia acordou numa altura que não sabe como E teve que burlar um guarda para entrar no circo Sem saber que a vida era mais risível do lado de fora Onde os homens dormem abraçados com seus projetos Onde os homens acordam com medo de seus reflexos E todos seus objetivos vão pelo chão dispersos. Em cada esquina da minha vida há um rosto que espreita Esperando que a qualquer momento eu saia da linha Para puxar definitivamente meu frágil tapete Para fazer meu rosto corar com tantos deslizes Eu que nunca tive noção do errado e certo E deixei os pés me guiarem sem saber pra onde Sem nunca obedecer a uma ordem sequer de nada Deixei meu cansaço ancorar à beira de um penhasco Fazendo sem desleixo tudo o que o coração manda. Mesmo se de alguma coisa soubesse nada teria feito Pois todo conhecimento adquirido o coração inverte E quando não há razão nenhuma ele inventa Para nos fazer acreditar que a vida tem sentido E tudo o que fazemos pode vir a ser nobre Por mais inominável e torpe que aparente Pois os olhos do mundo não são os nossos E nós que atravessamos tantas estradas tortas Sabemos bem a profundidade de nossos passos. Em alguma colina da terra meu ser repousa Enquanto meu corpo jaz atado aos seus mistérios Esperando que a noite beije-me com um segredo E a cabeça adentre a mansão dos sábios Mesmo sabendo que para o mundo sou vulgo Abraço a noite na qual já estou nos braços Vivendo cada dia como se fosse o último Em busca de um amor que me faça completo Mesmo sabendo que todo sentimento é vago.
Escrito por ivoando às 21h27
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REFLEXÕES NUM DIA INCERTO
É primavera. Estou na primavera em pleno verão E chove como inverno. Entrei numa poça de lama E temo não conseguir chegar em casa Antes que me vejam sujo. Temo chegar em casa E encontrar o armário de portas abertas Sem roupas secas. Não estou preparado Para as hostilidades climáticas Que o tempo sugere. Não estou habilitado Para enfrentar as intempéries da alma Que me desassossega. Deixe-me seguir Pois em algum lugar da terra agora é dia E ninguém mais sabe. Em algum lugar da terra Alguém está me chamando para seguir Sujo incerto e livre.
Escrito por ivoando às 11h22
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A MUSA QUE SE FEZ POESIA
Longe de ti Sou como nômade No deserto Que morre de sede. Perto de ti Vivemos a insanidade Dos desejos Que o coração cede. Somos o oásis um do outro Nessa busca louca Que sempre nos arrebenta E nunca nos sacia. Somos pedaços de nós mesmos Desprendidos Perdidos numa imensa noite Sem sentido. Não diga nada Pois tudo que é dito se perde Sinta apenas Que o dia amanhece verde Como azul amanhece a vida E nos arredores Nascemos diblando a sina Dos corredores. Quando tudo estiver terminado A gente principia Porque o amor não desgasta Na maresia Porque o amor Anda na roupa que ela usa Ela... a musa Que se fez poesia!
Escrito por ivoando às 20h39
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DOS DEVERES NÃO CUMPRIDOS
Eu deveria dizer que o dia é triste E a morte espreita nas esquinas Atrás de postes mal iluminados Eu deveria ter acordado cedo Para fazer tudo o que devia Que todo dia espera de mim Hoje eu deveria ter ido mais longe De onde eu sempre fui Mesmo que assim me perdesse Hoje eu deveria ter retribuído Um sorriso a mim dirigido Mesmo que fosse falso ou fútil Como seria bom se eu pudesse Ver um óvni acima da cabeça E voar nele descendo a encosta Como seria bom se eu visse Teus olhos abrindo minha porta Na escuridão onde me visto Eu deveria ter nascido depois Para te encontrar antes Ou nem devia ter nascido Eu deveria ter juízo, mas não tenho Eu deveria estar são, mas não estou Eu não devia, mas eu te amo!
Escrito por ivoando às 23h37
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ENCONTROS
Ando mansamente num céu de lata Enquanto o horizonte descortina suas preces Para alguém que se foi antes do tempo Embora eu nunca tenha compreendido Como alguém pode querer ir antes Como se a vida fosse uma festa triste Onde nos encontramos tardiamente Com nossos medos e nossos desertos Enquanto a mente apascenta estrelas Que nos alimenta de luz e sombras E nos atordoa porque estamos vivos E nos acomoda porque estamos mortos No meio de tanta gente que não sabe Em qual lugar da terra perdeu o siso Nem se porventura algum dia o teve. Sei de mim apenas que estou longe De todas as coisas que desgoverno De todos os seres que me apavoram Quando o silêncio desce como um raio Partindo ao meio meu coração de pedra Que nunca soube seu lugar ao certo E depositou flores na tumba errada Chorando de saudades não sentidas Pelos lugares por onde nunca esteve Pelo vento que auscultou-lhe o peito Pelo frio que desgrenhou sua alma E pelo riso que lhe moldou o jeito. Cansei da minha sanidade produtiva Que me leva sempre ao mesmo ponto Onde meus segredos se descortinam Onde meus desejos se refugiam Atrás do sopro que provoca a neblina Para fugir de meus degredos Para acalmar de vez meu espírito Que só pode encontrar repouso Se do outro lado estiver o teu.
Escrito por ivoando às 21h24
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PERCEPÇÕES XXXIV
Disseram-me para vir só Mas os sentimentos me acompanharam E não pude ficar indiferente Aos campos com suas cruzes Enfileiradas à minha frente Onde as aves pousam Sem causar desconforto E o repicar de um sino Numa igreja distante É apenas mais um som. Junto com a tarde Meus sentimentos se recolhem E sinto só Como só estavam os homens De outros milênios E mais só estarão os homens De milênios vindouros Pois a solidão aumenta Na mesma proporção Que a população cresce. Junto com a noite Evaporam os vestígios Da minha estadia nessa urbe Que me abraça E apresenta suas coisas Mesmo sabendo que amanhã Posso partir Pois sou efêmero Como bolha de sabão Que uma criança desenha. Disseram-me para ficar aqui Mas recusei o espaço Que me indicaram E desde esse dia Durmo ao relento Junto com meus sentimentos Que não obedecem Minha voz de comando E se recusam A sair de perto de mim Para que o amor prevaleça E eu não desfaleça só.
Escrito por ivoando às 19h17
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DO POUCO QUE EU SEI
Apenas sei de mim O que todos já sabem E nada mais. Não tenho segredos E minha vida È um diploma na parede Servindo de enfeite E tão distante Que nem lembro O dia e a hora Que a deixei exposta Para ser vista E fazer sentido. Vivo agora fora de mim Pois o que sou Já não existe E me perco na intensidade Que me desconcentra E me revira Quando olho á frente E não me vejo. Há uma calmaria Em meus lábios trêmulos Antes do beijo E um mar revolto Quando tocam os teus. De tudo o que sei Aprendi pouco E pra nada serve. Vivo o que sinto O que me ilumina O que me faz divino Assim tão perto Que me deixa leve.
Escrito por ivoando às 18h59
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MISTÉRIOS
Há um grande mistério Entre teus olhos E os meus Indecifrável Como todo o belo Que não se explica Porque o imã dos teus Atrai tanto os meus Que já nem sei Se o que vejo Sou eu mesmo Ou virei reflexo dos teus.
Escrito por ivoando às 23h51
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CHEGADAS
Muitas vezes chegar Não significa necessariamente Estar em algum lugar. Muito além de simplesmente Chegar em algum destino Você abre a porta De um caminho estreito Para encontrar a si mesmo Mesmo que isso Assuste de vez em quando. Chego sem necessariamente Ter vindo. Apareço sem que para isso Seja preciso um passe de mágica. Minha estadia não tem Objetivos concretos Nem missões mirabolantes Apenas chego e fico. Nunca sei de onde Nem a que vim Quando dou por mim Já estou aqui E de repente Tudo fica perto Tudo está ao meu alcance. E todas as coisas Tornam-se simples. Poderia começar esse poema assim: “Eis aqui quem chega do nada”. A verdade é que nunca chego Precisamente Onde quero chegar. Chego simplesmente Apenas para ter a sensação De estar chegando Mas nunca tenho certeza Se o lugar onde estou É para onde eu queria ter vindo. Eis aqui simplesmente, Sem causas Sem dores Sem poderes Sempre pronto Para outra partida. Para onde?
Escrito por ivoando às 00h33
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VENDO O MUNDO
O mundo aí está Da forma como foi feito Do jeito como foi posto Virado para o mesmo lado Desde quando ele existe Para ser entendido ou não Da forma como é visto E escrevo como o vejo Para ser contraditório Ou quem sabe entendido. Ás vezes o vejo de forma torta Com os olhos embotados Para disfarçar meu revés Em outras o vejo ao contrário Com meus olhos de relance Que deixa um verso embutido. Nunca o vejo da mesma forma Nem lhe aparo as arestas Para tê-lo mais acessível Apenas me assusto um pouco Com tantas faces ocultas Que somente a mim é visível.
Escrito por ivoando às 22h00
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RECOMEÇO
Tenho um cego em cada uma das mãos E meus medos tomam banho Junto com meus ímpetos. Muito do que foi feito não se explica. Se pudesse voltar atrás Seguia em frente Sabendo que o anel perdido Rolou debaixo de algum deslize E não pode mais ser encontrado. Eu tinha um tesouro guardado na despensa Que perdeu o valor Quando o trono trocou de dono. Antes do último mergulho O cego de minhas mãos Ainda acena Para um cenário desabitado Onde o último sinal de vida Retirou-se há tempos E não mais foi visto. Recolho tudo o que resta guardado Sob a minha sombra caída Sob meu olho abatido Sob meus pés desolados Para que o passo á frente Não tenha tropeços Nem vítimas abaladas Nem choros desconcertantes Nem receio de dar em nada.
Escrito por ivoando às 17h21
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VAGUIDÃO
Vago incerto Tendo à frente Um chão aberto Onde caio todos os dias E sempre volto Para cair de novo Pois a vida me deu Além da voz Esse grito mudo Que tenho que soltar Todos os dias. Também cai o dia Quando as horas Riem de mim E todos os caminhos Conduzem a mim mesmo E terminam num ponto Sem reticências Onde vago cego Tendo pela frente Uma longa noite E tua ausência.
Escrito por ivoando às 21h54
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DOIS ANOS DE IVOANDO
Tudo começou num domingo à tarde. Enfadonho como todos os outros. Lá estava eu pulando de site em site e pensando na efemeridade da vida quando me dei conta que muitas tardes daquela já haviam se passado e pouca coisa de concreto eu havia feito até então. Desafio de começar um blog surgiu da necessidade de deixar de ser platônico, no sentido de ser escritor apenas no mundo das idéias e também, para deixar o comodismo um pouco de lado. É fácil você dizer que é escritor, mas na hora de apresentar alguma coisa sua escrita, cadê? Partindo do princípio um pouco utópico, que podemos ser aquilo que queremos, topei o desafio feito por mim a mim mesmo e há exatos dois anos, sem que uma única semana falhasse, posto aqui meus devaneios. Desde então, muita água passou por debaixo dessa ponte. Não apenas debaixo dela, mas por cima também. Teve dias em que o rio transbordou, arrastando esse blogueiro e suas idéias para uma correnteza que parecia sem volta. Mas a história caminha em círculos e não em linha reta e a gente sempre acaba voltando ao desafio de estar sempre numa margem e cada texto escrito é um passo para tentar atingir a outra. Como poeticamente já disse Mário Benedetti:“Para cruzá-la ou não cruzá-la, eis a ponte/ Na outra margem alguém me espera com um pêssego e um país...” Assim, vou fazendo desse espaço um local onde morro e ressuscito sempre. Onde fico exausto e renovado. Alegre e triste. Aqui, todos os paradoxos se encontram. As pessoas se encontram. Eu me encontro com as pessoas. Cada texto tem um significado para mim que pode ser diferente para outros. São filhos feitos para o mundo e, se são amados ou não, independe de quem os criou. E mesmo assim, continua criando...
Escrito por ivoando às 22h36
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UM POUCO DO QUE NÃO SOMOS
Um pouco de humor, sal e matéria desprendem de mim Misturando-se aos devaneios metafísicos Enquanto meu ser calado se veste de quem não sou E sai distribuindo sorrisos na vizinhança Esperando ser visto como gente E ser tratado como um ser normal. Enganam-se os que pensam que sou o que aparento ser. Há em mim toda uma carga de ceticismo Que varro pacientemente debaixo do tapete E ando a falar mal de filantropias Que deixam as pessoas tão contentes Que as fazem sentirem-se realizadas E colocam um pouco de vida em sua vida inútil E coloca um campo protetor em suas mentes sujas E as fazem sentirem-se bem Como se servissem para alguma coisa. Causa-me desconforto saber que cada um pensa E vive apenas de acordo com o que acha que é certo Mas nunca parou para pensar se o certo existe E vai transmitindo à prole pensamentos tortos E os proíbe de pensar com medo De que eles vejam o quão torpe o pensamento se torna Quando não foi pensado para ser o melhor Mas para defender suas causas inócuas Que não servem absolutamente para nada Mas são a razão de seus dias lerdos. Pessoas lojas e letreiros se misturam nas esquinas Enquanto passo por eles sem estar ali. A inexatidão das coisas e das horas me oprime E me põe a pensar onde eu estaria Se não estivesse ali naquele momento inseguro Onde todos me vêem e não sou visto Porque não faço parte de seus campos de visão E seus olhos foram treinados para ver letreiros E não para decifrar pessoas. Sinto as pessoas me perscrutando quando as olho Ou quando delas me aproximo indiferente. Esboço então um sorriso tímido Como se estivesse perdido de mim E não ofereço perigo algum Nem serei a causa de seus dissabores Para desarmar os espíritos Para que vejam que sou apenas gente E não como seu inimigo oculto Projetado por sua mente Que a faz ter medo do mundo.
Escrito por ivoando às 01h33
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NÃO ME APAVORA
Minha amada Olha lá fora O dia é quente E o sol tão inclemente Que até desafora Não me apavora! Eu não tenho Nem lugar agora Para meus versos Que estão sem berço Desde a aurora Não me apavora! Olha o vento Que a brisa namora E sempre atenta No meio da tormenta Um beijo elabora Não me apavora! Sonho como cego E se o tempo demora Pouco me importa A vida é toda incerta Minha amada Não me apavora!
Escrito por ivoando às 23h57
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PERGUNTAS
Perguntam-me Com palavras belas Com argumentos exatos Com a boca em linha reta Na posição inflexível De quem já sabe a resposta Ou imagina que saiba E fica esperando a minha Para poder combatê-la. A verdade pediu licença E deitou-se ali Junto ao cão na sarjeta. As respostas existem Para ser apenas resposta E não trazer definição. Como posso responder Se o mundo não tem clareza Como hei de saber Se nem de mim tenho certeza.
Escrito por ivoando às 23h57
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DEPOSITÁRIO DE SONHOS
Tenho medo de virar deserto Quando não houver mais palavras que me definam. Um barco partiu à noite sem ninguém a bordo E sem que ninguém o visse partir Navegando agora quem sabe aonde Sem uma mão que lhe dê prumo Sem um mapa que lhe dê rota Sem um verso que lhe dê sentido Sem uma alma que lhe dê vida. Todos meus sonhos estavam nesse barco Guardados em baús sem chaves Juntados em tantos anos de vida Com a paciência dos abnegados Com a calma dos suicidas Com a tenacidade dos insensatos Com a presteza dos feridos. Agora quando os sinos tocam sento à porta E na enxurrada das horas que passam Solto sonhos de papel Enquanto o sono não chega Enquanto a morte não beija Enquanto o laço não solta Enquanto o choro não vem.
Escrito por ivoando às 03h51
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AMOR EM DESUSO
Meu amor em desuso bate à porta De vez em quando Na esperança de que o veja E o traga para dentro Junto à lareira Para se aquecer junto ao fogo Contar suas historias E não ficar obtuso. Em alguma data que não preciso Ele saiu de moda Como carro sai de linha E foi ficando assim Esquecido no quintal Servindo às vezes de enfeite Outras de suporte Para devaneios. Mesmo por mim esquecido Eu o vejo pela fresta Quando a saudade incomoda A dor chega de leve E o peito não suporta Que meu coração entrega O quanto dele eu preciso O tanto que sinto falta...
Escrito por ivoando às 23h13
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HOJE
Hoje estou mais sensível do que nunca E assusto quando as coisas me olham. Hoje acordei com vontade De ir nu até um desfiladeiro E gritar eu te amo Com todas as forças Até ficar rouco E voltar pra casa sorrindo Sentindo-me mais leve Cheio de ecos no ouvido. Hoje sonhei que andava no ar E fazia mil voltas Dava vôos rasantes E todos se admiravam Da minha habilidade E riam das peripécias E se escondiam com medo Que lhes pudesse fazer mal Mas eu nem ligava E girava e girava Para mostrar que estava ali E era inofensivo. Hoje minha mente acordou mais cedo E leu os pensamentos dos meus sonhos. Hoje alguma coisa Ficou mais distante de mim Como um romeiro aleijado Que não consegue acompanhar O ritmo alucinado Dos que acompanham andores E querem chegar à frente Como se fossem ao céu E o número de vagas Fosse limitado. Hoje o dia terminou Antes de haver começado. Eu continuo na cama Vendo meu corpo que vaga Perdido em tantas ruas Dobrando tantas esquinas Vendo tantas pessoas Que se assustam Quando eu chego Pois sabem Que não existo.
Escrito por ivoando às 22h13
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VISÕES
Mesmo sem estar te vendo Vejo-te... porque tu existes E vives em minha mente De onde nunca partistes. Uma imagem tão linda Que eu vejo sem a ver E fico me perguntando Se a tenho... sem a ter. Jogo água fria no rosto Para ver se vais embora Mas tu ficas e com gosto Parecendo uma sombra Na minha alma que chora Mesmo que a face esconda.
Escrito por ivoando às 23h35
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